27/04/2018 às 18h02min - Atualizada em 27/04/2018 às 18h02min

Vacina pentavalente está em falta na rede pública de saúde da região

Amanda Sabino - [email protected]

Foto: Manu Dias / Secom
A vacina pentavalente, aplicada em crianças a partir de 2 meses de idade, que faz parte do calendário vacinal obrigatório do Sistema Único de Saúde (SUS) está em falta há dois meses na rede pública de saúde de Americana, Santa Bárbara d’Oeste e Hortolândia.
 
Utilizada para imunização contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite, a vacina é administrada em três doses, sendo uma a cada dois meses. Porém, as mães da região não conseguem imunizar seus filhos em função da escassez da vacina nos postos de saúde.
 
É o caso da pedagoga Anelyse Borim, de 29 anos, mãe de Isis Mariah, de três meses. A moradora de Santa Bárbara d’Oeste contou que já foi até unidades de saúde do Jardim Esmeralda, Jardim Pérola, Cidade Nova, São Francisco, Mollon, Parque do Lago e Jardim Nilópolis e não encontrou a vacina para a filha. “Os funcionários dizem que a vacina acabou e que não tem previsão de chegada. Minha filha já teria que estar tomando a segunda dose da vacina, mas ainda não conseguimos dar nem a primeira”, disse.
 
A mãe contou, ainda, que está preocupada com a situação. “O meu maior sentimento é de preocupação porque sei que é uma vacina importante, além, é claro, de ser um direito da criança. Não fazemos nada hoje em dia se a carteira de vacinação dos nossos filhos não estiver em dia. Como mãe, me sinto ofendida com isso, pois durante os primeiros meses de vida os bebês são muito pequenos e estão expostos a qualquer tipo de doença”, desabafou.
 
O Portal Atualidade entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Santa Bárbara d’Oeste, por meio da assessoria de imprensa, mas até o fechamento da matéria não obteve retorno. Sumaré também foi questionado e não se manifestou sobre o assunto.
 
Segundo a Secretaria de Saúde de Americana, a vacina está em falta há, aproximadamente, dois meses em todo o Estado. O órgão, por meio de nota, informou que “até o momento não há qualquer informação sobre quando irá normalizar o fornecimento. A orientação da Secretaria de Saúde é para que aguardem, pois assim que houver o recebimento da vacina Pentavalente, as próprias unidades entrarão em contato com os pacientes”.

Em Nova Odessa, a Vigilância Epidemiológica explicou que tem realizado um trabalho de otimização na aplicação das doses exatamente para evitar a falta de vacinas. "Segundo a responsável pela Vigilância, neste mês o Município não recebeu doses de Pentavalente, no entanto, não tivemos falta por conta desta otimização que tem sido feita. É importante esclarecer que nenhum paciente em Nova Odessa ficou sem a imunização. A Vigilância já pediu mais doses e recebeu resposta do Ministério da Saúde de que a reposição do estoque estaria sendo providenciada. O Município segue acompanhando a situação", frisou a prefeitura.

 
Hortolândia também informou que essa semana o município recebeu 240 doses da vacina, que não são suficientes para a demanda da rede pública de saúde municipal. “A média mensal de utilização desta vacina é de 3 mil doses. O envio da vacina é realizado pelo Ministério da Saúde à Secretaria de Estado da Saúde, que repassa aos municípios”.
 

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde, que explicou que "a aquisição e distribuição de vacina pentavalente é responsabilidade do Ministério da Saúde. O Estado apenas redistribui para os municípios". Segundo a secretaria, o envio das doses da pentavalente para São Paulo ocorreu com irregularidade e em quantidades insuficientes para a demanda mensal nos últimos meses. "A necessidade do Estado é de 200 mil doses por mês, em média e o Ministério não realizou entregas nos meses de janeiro e fevereiro de 2018. Nos meses anteriores, a entrega foi parcial, obrigando o Centro de Vigilância Epidemiológica a equacionar a distribuição do quantitativo nas doses regionais para abastecer devidamente o território paulista. Porém, uma nova grade de 280 mil doses foi enviada ao Estado de São Paulo e já está sendo redistribuída aos municípios por meio dos grupos regionais de vigilância epidemiológica. A região de Campinas receberá 25 mil novas doses", trouxe a nota.


O Ministério da Saúde, por sua vez, afirmou que a falta de vacinas é ‘pontual’. No e-mail, enviado pela assessoria de imprensa, “o Ministério da Saúde informa que mantém a distribuição de vacinas em todo o país e trabalha na regularização dos estoques em casos pontuais. É importante ressaltar que a distribuição de vacinas aos estados é realizada mensalmente pelo Ministério da Saúde, de acordo com a demanda e com os estoques estaduais e nacional. Cabe aos estados, uma vez abastecidos, fazer o repasse aos respectivos municípios”.
 
Segundo a nota, no mês de abril foram enviadas mais de 1 milhão de doses para todo o país, das quais 530 mil doses foram destinadas ao estado de São Paulo. “Após a autorização, a entrega dos imunobiológicos é efetuada pela Central de Armazenagem e Distribuição de Insumos Estratégicos (Cenadi), ao longo do mês a todas as Unidades Federadas. Todos os estados já receberam os quantitativos autorizados para o mês de abril/2018. Vale destacar, ainda, que são necessários alguns dias entre o recebimento pela UF e o abastecimento dos postos de vacinação”, explicou o Ministério da Saúde.
 

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Publicado por Portal Atualidade em Terça-feira, 29 de maio de 2018