07/02/2018 às 12h46min - Atualizada em 07/02/2018 às 12h46min

Brasil registra 98 mortes por febre amarela neste ano, diz Ministério da Saúde

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Agência Estado / Redação / Agência Saúde
Ministério da Saúde inaugura nova linha de produção da vacina de febre amarela. Embu das Artes (SP). Foto: Rodrigo Nunes/MS
O número de casos de febre amarela registrados no Brasil subiu para 353, 140 a mais do que havia sido contabilizado na semana passada. As mortes provocadas pela doença também avançaram. Dados do último boletim, divulgado na manhã desta quarta-feira, 7, pelo Ministério da Saúde, mostram que 98 pessoas morreram em decorrência da infecção, 17 a mais do que o informado semana passada.

Os números de febre amarela se referem a um período iniciado em 1º de julho. Mas a maioria começou a ser registrada a partir da primeira semana de 2018. Para se ter uma ideia, somente este ano foram 351 casos e 98 óbitos.

De acordo com o boletim do ministério, a maior parte dos casos está em São Paulo. O Estado reúne 161 confirmações da doença, com 41 mortes. Em seguida vem Minas, com 157 infecções e 44 óbitos. O Rio de Janeiro traz 34 casos e 12 mortes. Tanto Rio quanto São Paulo realizam em cidades consideradas de maior risco uma campanha de vacinação com doses fracionadas do imunizante. 

Em Minas, Estado que já havia sido muito castigado pela epidemia no ano passado, o fracionamento não é realizado. De acordo com o Ministério da Saúde, isso se deve ao fato de que cidades mineiras já dispõem do quantitativo suficiente para imunizar, com doses integrais, toda população que ainda não foi vacinada.

 

TRANSMISSÃO

O Ministério da Saúde informa que não há registro confirmado de febre amarela urbana no país. O caso de febre amarela em São Bernardo do Campo (SP) está sendo investigado por uma equipe da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo (SES/SP), o que inclui o histórico do paciente e captura de mosquitos para identificar a forma de transmissão na região. Deve ser observado que o paciente mora na região urbana, e possivelmente trabalha na área rural. Qualquer afirmação antes da conclusão do trabalho é precipitada.  É importante informar que São Bernardo do Campo (SP) é uma das 77 cidades dos três estados do país (São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia) incluídas na campanha de fracionamento da vacina de febre amarela.

O Ministério da Saúde esclarece que todos os casos de febre amarela registrados no Brasil desde 1942 são silvestres, inclusive os atuais, ou seja, a doença foi transmitida por vetores que existem em ambientes de mata (mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes). Além disso, o que caracteriza a transmissão silvestre, além da espécie do mosquito envolvida, é que os mosquitos transmitem o vírus e também se infectam a partir de um hospedeiro silvestre, no caso o macaco.

A probabilidade da transmissão urbana no Brasil é baixíssima por uma série de fatores: todas as investigações dos casos de febre amarela conduzidas até o momento indicam exposição a áreas de matas; em todos os locais onde ocorreram casos humanos, também ocorreram casos em macacos; todas as ações de vigilância entomológica, com capturas de vetores urbanos e silvestres, não encontraram presença do vírus em mosquitos do gênero Aedes; já há um programa nacionalmente estabelecido de controle do Aedes aegypti em função de outras arboviroses (dengue, zika, chikungunya), que consegue manter níveis de infestação abaixo daquilo que os estudos consideram necessário para sustentar uma transmissão urbana de febre amarela. Além disso, há boas coberturas vacinais nas áreas de recomendação de vacina e uma vigilância muito sensível para detectar precocemente a circulação do vírus em novas áreas para adotar a vacinação oportunamente.

CAMPANHA

A campanha de fracionamento da vacina contra a febre amarela começou no dia 25 de janeiro nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A campanha de vacinação no estado da Bahia começa no dia 19 de fevereiro.

Para auxiliar os estados e municípios na realização da campanha, o Ministério da Saúde vai encaminhar aos estados R$ 54 milhões. Desse total, já foram repassados R$ 15,8 milhões para São Paulo; R$ 30 milhões para Rio de Janeiro, e está em trâmite a portaria que autorizará o repasse no valor de R$ 8,2 milhões para a Bahia.

A adoção do fracionamento das vacinas é uma medida preventiva e recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) quando há aumento de epizootias e casos de febre amarela silvestre de forma intensa, com risco de expansão da doença em cidades com elevado índice populacional. A dose fracionada tem apresentado a mesma proteção que a dose padrão. Estudos em andamento já demonstraram proteção por pelo menos oito anos e novas pesquisas continuarão a avaliar a proteção posterior a esse período.

O Ministério da Saúde, no ano de 2017 até o momento, encaminhou às Unidades da Federação o quantitativo de aproximadamente 58,9 milhões de doses da vacina. Para os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia foram enviados cerca de 49,8 milhões de doses, com objetivo de intensificar as estratégias de vacinação, sendo 19,7 milhões (SP), 10,7 milhões (MG), 12 milhões (RJ), 3,7 milhões (ES) e 3,7 milhões (BA).

 

Distribuição dos casos de febre amarela notificados: 1º/7/2017 a 6/02/2018

UF (LPI)*

Notificados

Descartados

Em Investigação

Confirmados

Óbitos

AC

1

0

1

-

-

AP

2

2

0

-

-

AM

5

2

3

-

-

PA

24

15

9

-

-

RO

8

5

3

-

-

RR

2

2

0

-

-

TO

12

6

6

-

-

AL

2

1

1

-

 

BA

22

10

12

-

-

CE

2

2

0

-

-

MA

1

1

0

-

-

PE

1

0

1

-

-

PI

3

1

2

-

-

RN

1

1

0

-

-

SE

1

0

1

-

 

DF

33

19

13

1

1

GO

31

16

15

-

-

MT

1

0

1

-

-

MS

5

4

1

-

-

ES

64

42

22

-

-

MG

358

116

85

157

44

RJ

40

3

3

34

12

SP

607

242

204

161

41

PR

32

14

18

-

-

RS

15

4

11

-

-

SC

13

2

11

-

-

Total

1.286

510

423

353

98

Dados preliminares e sujeitos à revisão
*LPI – Local Provável de Infecção


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